O Patinho Feio estava feliz. Depois de anos de sofrimento, perdido, assustado e sem rumo, finalmente sabia quem era. Agora ele era um grande e lindo Cisne, havia descoberto sua verdadeira ancestralidade. E tudo finalmente estava bem.
Ficava imaginando quem teria trocado os ovos e colocado ele naquela triste situação. Pensava nos E se ... e se nada disto tivesse acontecido, e se ele tivesse nascido na família correta desde o princípio. Ele teria sido um cisnezinho bonito e feliz ao invés de um patinho feio.
O Patinho Feio foi visitar sua Mãe Pata. Ela o recebeu com alegria, mas também com um certo constrangimento. Mamãe Pata sabia muito bem que não tinha sido uma boa mãe, quando pensava que ele era o filho dela. Embora tivesse tentado, não havia amado ele o suficiente, nem o havia defendido dos seus algozes.
O Patinho Feio não sabia muito bem como perdoar sua Mãe Pata. Mas tentava ver o lado bom da história, talvez se ela tivesse cuidado bem dele, ele talvez jamais tivesse descoberto sua verdadeira natureza e conseguido ser feliz.
Isto era uma grande tolice, é lógico. Se ela tivesse cuidado bem dele. Teria tido uma infância feliz e tranquila. E quando sua verdadeira natureza aparecesse, ele poderia ter abraçado seu verdadeiro EU com suavidade e empatia. Poderia conciliar os dois mundos, o amor que deveria ter na sua casa adotiva e o amor da casa da qual ele havia sido roubado.
No meio de todo constrangimento, resolveram fazer um exame de DNA. Seria a prova cabal de que tudo foi obra de uma brincadeira perversa de alguma criatura que havia trocado os ovos.
Todos eles seriam meras vítimas de um engodo; sem culpados ou responsáveis visíveis. O responsável seria um vilão estranho, alguém pra ser odiado, mas cuja identidade jamais seria descoberta.
Um grande alívio para o Patinho Feio – a mãe Pata não teria falhado, ela apenas tinha intuído que alguma coisa estava errada e que não podia ter mudado a natureza das coisas.
A Mãe Pata também ficou feliz. Seria absolvida de todas as suas negligências. Eles achariam uma prova científica para contar o que de fato havia acontecido, reescreveriam o passado, elaborariam sua dor, fundamentariam o perdão e seguiriam em frente. O plano perfeito, tudo seria colocado no lugar certo, não tinha como dar errado.
Assim fizeram o exame, aguardando ansiosamente a prova que os libertaria.
O documento científico esclareceu tudo: o Patinho Feio por mais que se parecesse um cisne, era só um pato feio mesmo e a Mamãe Pata era de fato sua mãe biológica.
Fim.