segunda-feira, 22 de março de 2021

O exame de DNA do Patinho Feio

 O Patinho Feio estava feliz. Depois de anos de sofrimento, perdido, assustado e sem rumo,   finalmente sabia quem era. Agora ele era um grande e lindo Cisne,  havia descoberto sua verdadeira ancestralidade. E tudo finalmente estava  bem.


Ficava imaginando quem teria trocado os ovos e colocado ele  naquela triste situação. Pensava nos E se ... e se nada disto tivesse acontecido, e se ele tivesse nascido na família correta desde o princípio. Ele teria sido um cisnezinho bonito e feliz ao invés de um patinho feio.


O Patinho Feio foi visitar sua Mãe Pata. Ela o recebeu com alegria, mas também com um certo constrangimento.    Mamãe Pata sabia muito bem que não tinha sido uma boa mãe, quando pensava que ele era o filho dela.  Embora tivesse tentado, não  havia amado ele o suficiente, nem o havia defendido dos seus algozes.


O Patinho Feio não sabia muito bem como perdoar sua Mãe Pata. Mas tentava  ver o lado bom da história, talvez se ela tivesse cuidado bem dele, ele talvez  jamais tivesse descoberto sua verdadeira natureza e conseguido ser feliz.


Isto era uma grande tolice, é lógico. Se ela tivesse cuidado bem dele. Teria tido uma infância feliz e tranquila. E quando sua verdadeira natureza aparecesse, ele poderia ter abraçado seu verdadeiro EU com suavidade e empatia.  Poderia conciliar os dois mundos, o amor que deveria ter  na sua casa adotiva e o amor  da casa da qual ele  havia sido roubado.


No meio de todo constrangimento, resolveram fazer um exame de DNA.  Seria a prova cabal de que tudo foi obra de uma brincadeira perversa de alguma criatura que havia trocado os ovos. 


Todos eles seriam meras vítimas de um engodo; sem culpados ou responsáveis visíveis.  O responsável seria um vilão estranho, alguém pra ser odiado, mas cuja identidade jamais seria  descoberta.


Um grande alívio para o Patinho Feio – a mãe Pata não teria falhado, ela apenas tinha intuído  que alguma coisa estava errada   e que não podia ter  mudado  a natureza das coisas.


A Mãe Pata também ficou feliz. Seria absolvida de todas as suas negligências.  Eles achariam uma prova científica para  contar o que de fato havia acontecido,   reescreveriam  o passado, elaborariam sua dor, fundamentariam  o  perdão e seguiriam  em frente. O plano perfeito, tudo seria colocado no lugar certo, não tinha como dar errado. 


Assim fizeram  o exame, aguardando ansiosamente a prova  que os libertaria.


O documento científico esclareceu tudo: o Patinho Feio por mais que se  parecesse um cisne, era só  um pato feio mesmo  e a Mamãe Pata  era  de fato sua mãe biológica. 


Fim.