Rapunzel estava na janela de sua torre sem escadas quando conheceu seu suposto belo príncipe.
Para falar a verdade, ele nem era tão bonito assim, nem se sabe ao certo se ele era um nobre de verdade, mas foi muito gentil com ela.
Tiveram uma conversa muito gritada, ela lá no alto e ele lá embaixo e começaram o que parecia ser uma amizade.
Ele lhe disse que tinha vontade de chegar mais perto, ao conversarem sobre como isto seria possível, sugeriu que ela deixasse seu cabelo crescer, para utilizar como corda e escalar a torre.
O rapaz apareceu mais algumas vezes e depois desapareceu. Não que fosse má pessoa ou algo do tipo, ninguém tinha lhe ensinado o valor das palavras e a importância de honrá-las. Apenas perdeu o interesse e tomou outro rumo, sem ao menos despedir-se, como sempre fez na vida, sem grandes preocupações.
Rapunzel entretanto manteve-se firme no combinado . Por muitos meses seguidos deixou seu cabelo crescer. Foi um processo duro e trabalhoso.
Rapunzel deixava o cabelo crescendo, crescendo e crescendo...
Rapunzel penteava seu cabelo muitas e muitas vezes...
E os mantinha limpos ....
E os mantinha bem cuidados....
Do alto de sua torre, ela não entendia muita coisa, não sabia o que era a amizade ou amor, mas imaginou que se conversar de longe era bom, conversar de perto seria melhor.
E cultivar aquelas tranças enormes era muito cansativo, Rapunzel tinha que carregar aquele peso todo no seus cômodos no alto da torre e ficar impedindo que se enroscassem nas coisas.
Quando finalmente estavam do tamanho que ela precisava para servir de acesso a torre, ela entendeu que seu amigo havia desaparecido de vez.
Num lampejo de lucidez, lhe ocorreu que jamais deveria ter feito aquilo, pois se ele quisesse realmente conversar com ela, poderia trazer uma escada. Que tudo aquilo havia sido uma grande tolice.
Assim, Rapunzel sentindo-se triste e frustrada cortou suas tranças. Se sentiu leve e descobriu como aquilo era libertador, como tinham sido tão difíceis aqueles meses.
E quase que aquilo tudo parecia ter sido em vão.
De repente, ocorreu-lhe uma nova ideia, as mesmas tranças que poderiam servir pra alguém subir, poderia servir para ela descer. E foi isto que ela fez. Um pouco de medo e muito desajeitada, com algumas escoriações e um tombo quando faltava pouco para chegar ao chão, ela conseguiu alcançar seu objetivo.
E depois de tantos anos presa, resolver viajar pelos reinos ao redor, conhecer lugares que nunca tinha imaginado que existissem. E assim iniciou-se uma linda jornada.
quinta-feira, 23 de julho de 2020
Olhos de Estrelas - Texto de Letícia Luna - Ilustração de Lorena Luna
Olhos de Estrela
Mãe das Estrelas,
Minha Mãe,
Mãe das Constelações,
Mãe da Ursa Maior,
Mãe da Ursa Menor.
Mulher de Cabelos
Negros,
Mãe de Cabelos da Via
Láctea.
Seu olhar de Buraco
Negro,
Me suga até você.
Seus olhos com pupilas
de Lua Cheia,
Muitas Estrelas não
posso ver a olho nu,
Porém vejo as
Estrelas nos seus olhos,
Estrelas nos seus olhos,
Acompanhadas de Amor.
A Terra não é o
centro do Universo,
Nem você.
Mas faz parte do mais
importante,
o Meu Coração.
Dedico este poema a
minha mãe
Letícia Luna
20/07/2020
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