domingo, 4 de abril de 2021

Histórias de Páscoa

 I


Em  2018, Letícia  tinha apenas 8 anos – chegou em casa toda feliz!   Pai  - quero participar  da  rifa da escola – Vou ganhar  uma cesta linda com um ovo de chocolate enorme , mais uma  caixa de bombons  e um coelho de pelúcia. Apenas 5 reais, cada bilhete com um número.


O pedido   acendeu o sinal vermelho -  fiquei imaginando se minha pequena primogênita entendia  o que era uma rifa.


Não gosto de sorteios, bingos  e loterias.  Não me acho uma pessoa sortuda, detesto  toda aquela improbabilidade,  a fantasia  de ganhar sem muito nexo ou  lógica. Amo a matemática que me explica como tudo aquilo é improvável. Incontrolável. Também detesto a sensação de frustração que vem depois com o resultado . Gosto das coisas que eu posso controlar  ou daquelas que eu acho que posso. Sim, admito. Não era apenas empatia e necessidade de proteger minha filha que estavam envolvidos nesta questão. Outros sentimentos que diziam respeito apenas a minha pessoa estavam envolvidos. Poderia levar isto para a terapia, se já não tivesse assuntos pendentes  demais. 


Calmamente, passei para o diálogo. Falei sobre como funcionaria o sorteio, como apenas uma criança sairia vencedora. Como aquilo causaria grande frustração nas demais. Preocupado e sisudo, expliquei sobre a importância  de não se iludir demais e de poder lidar com a frustração  inevitável depois. Eu estava lá tentando proteger minha filha de mais uma investida do mundo exterior.


A mãe dela tentou dizer algo para mim, mas não disse,  não se opôs a minha explicação, mas também não  me apoiou.  Simplesmente, não se intrometeu,  Letícia não ficou convencida com os meus argumentos, quis participar da rifa do mesmo jeito,  mandamos o dinheiro para a escola e recebemos os respectivos  bilhetes.


Na Quinta-feira Santa, antes do feriado seria  o famigerado dia  de sorteio e  entrega do prêmio, fui buscar minha filha na escola.  Vi minha profecia se realizando diante dos meus olhos, várias crianças saindo tristes e frustradas da escola (algumas chorando)  por que não tinham sido sorteadas. Imagino que  os pais reclamaram pois nos anos seguintes não houve novas rifas.  


Quanto a Letícia, me  pediram para esperar mais um pouco, por que ela estava com dificuldades pra carregar o material escolar e a cesta de chocolates que  havia ganhado. Ela estava com um sorriso enorme quando a recebi no portão da escola. 

 


II


Hoje as crianças acordaram mais cedo do que eu. Estavam ansiosas para brincar de procurar os chocolates.   Tomamos café rapidamente, depois que eu fui expulso da minha cama e fomos para o quintal.


A brincadeira sempre divertida até hoje – envolve pistas e até mesmo – quando  começa a ficar difícil – brincamos de quente e frio – quando elas chegam perto dos chocolates, eu digo, está esquentando, quando se afastam, eu digo – esfriou – e assim vai... até que elas encontram o desejado presente.


Este ano caprichei, comprei quatro chocolates bons e os escondi no quintal na véspera – estava  todo empolgado com a alegria delas. 


De repente, tudo degringolou -  após alguns minutos de dificuldades, a mais velha encontrou os dois primeiros que estavam mais fáceis.  A mais nova fica  frustrada e desanimada, mas tenta disfarçar – pra piorar – cabe a ela procurar os dois restantes. E em nenhum momento eu tinha percebido que elas estavam competindo entre si.


A pior coisa para um pai que precisa ouvir  é um filho que não quer   falar.


Estou superfrustrado e chateado numa Roda Gigante de Sentimentos  que eu não tinha pedido pra entrar. Os sentimentos dela se confundem com os meus. 


Silêncio.


Birra.


Raiva


Impaciência.


Entrego os chocolates a pedido dela, encerrando a brincadeira. 


Tento Conversar.


Tento nomear.


Tento me aproximar.


Sou rejeitado.


Me afasto.


Dou um tempo.


Você quer um colo ?


Vem no meu colo e se aninha, enquanto eu leio o jornal no computador.


E finalmente fala:


Pai, por que eu sou burra ?

Não é.

Sou.

Não é.

Sou.


Quase concordando  para tentar fazer a conversa progredir, mas acho que seria um erro e uma mentira. Ela não tem nada de burra.


Comecei a falar pra ela que as pessoas são diferentes, que as inteligências também são. Comecei a falar das muitas qualidades dela, das coisas em que ela era muito boa. 


Achei uma imagem na internet com os vários tipos de inteligência e começamos a conversar. 





Expliquei cada uma delas, Falei que eu era bom em algumas e não tão bom em outras.  Que meu irmão também tinha algumas inteligências que eu não tinha e vice versa.  Olha esta aqui, você é muito boa em matemática e coordenação motora, a sua irmã é  boa em relacionamento com outras pessoas, a mamãe era boa com plantas, bichos e natureza, o papai tem buscado autoconhecimento... 


Devagarzinho o coração dela foi sossegando, começou a sorrir, saiu do meu colo e foi brincar ...




segunda-feira, 22 de março de 2021

O exame de DNA do Patinho Feio

 O Patinho Feio estava feliz. Depois de anos de sofrimento, perdido, assustado e sem rumo,   finalmente sabia quem era. Agora ele era um grande e lindo Cisne,  havia descoberto sua verdadeira ancestralidade. E tudo finalmente estava  bem.


Ficava imaginando quem teria trocado os ovos e colocado ele  naquela triste situação. Pensava nos E se ... e se nada disto tivesse acontecido, e se ele tivesse nascido na família correta desde o princípio. Ele teria sido um cisnezinho bonito e feliz ao invés de um patinho feio.


O Patinho Feio foi visitar sua Mãe Pata. Ela o recebeu com alegria, mas também com um certo constrangimento.    Mamãe Pata sabia muito bem que não tinha sido uma boa mãe, quando pensava que ele era o filho dela.  Embora tivesse tentado, não  havia amado ele o suficiente, nem o havia defendido dos seus algozes.


O Patinho Feio não sabia muito bem como perdoar sua Mãe Pata. Mas tentava  ver o lado bom da história, talvez se ela tivesse cuidado bem dele, ele talvez  jamais tivesse descoberto sua verdadeira natureza e conseguido ser feliz.


Isto era uma grande tolice, é lógico. Se ela tivesse cuidado bem dele. Teria tido uma infância feliz e tranquila. E quando sua verdadeira natureza aparecesse, ele poderia ter abraçado seu verdadeiro EU com suavidade e empatia.  Poderia conciliar os dois mundos, o amor que deveria ter  na sua casa adotiva e o amor  da casa da qual ele  havia sido roubado.


No meio de todo constrangimento, resolveram fazer um exame de DNA.  Seria a prova cabal de que tudo foi obra de uma brincadeira perversa de alguma criatura que havia trocado os ovos. 


Todos eles seriam meras vítimas de um engodo; sem culpados ou responsáveis visíveis.  O responsável seria um vilão estranho, alguém pra ser odiado, mas cuja identidade jamais seria  descoberta.


Um grande alívio para o Patinho Feio – a mãe Pata não teria falhado, ela apenas tinha intuído  que alguma coisa estava errada   e que não podia ter  mudado  a natureza das coisas.


A Mãe Pata também ficou feliz. Seria absolvida de todas as suas negligências.  Eles achariam uma prova científica para  contar o que de fato havia acontecido,   reescreveriam  o passado, elaborariam sua dor, fundamentariam  o  perdão e seguiriam  em frente. O plano perfeito, tudo seria colocado no lugar certo, não tinha como dar errado. 


Assim fizeram  o exame, aguardando ansiosamente a prova  que os libertaria.


O documento científico esclareceu tudo: o Patinho Feio por mais que se  parecesse um cisne, era só  um pato feio mesmo  e a Mamãe Pata  era  de fato sua mãe biológica. 


Fim. 


quinta-feira, 23 de julho de 2020

RAPUNZEL

Rapunzel estava na janela  de sua torre sem escadas quando conheceu seu suposto belo príncipe.

Para falar a verdade, ele nem era tão bonito assim, nem se sabe ao certo se ele era um nobre de verdade,  mas  foi muito gentil com ela.

Tiveram uma conversa muito gritada, ela lá no alto e ele lá embaixo e começaram o que parecia ser uma amizade.

Ele lhe disse que tinha vontade de chegar mais perto, ao conversarem sobre como isto seria possível,   sugeriu que ela deixasse seu cabelo crescer, para utilizar como corda e escalar a torre.

O rapaz apareceu mais algumas vezes e depois desapareceu. Não que fosse má pessoa  ou algo do tipo, ninguém tinha lhe ensinado o valor das palavras e a importância de honrá-las. Apenas perdeu o interesse e tomou outro rumo, sem ao menos despedir-se, como sempre fez na vida, sem grandes preocupações.

Rapunzel  entretanto manteve-se firme no combinado .  Por muitos meses seguidos deixou seu cabelo crescer. Foi um processo duro e trabalhoso.

Rapunzel deixava o cabelo crescendo, crescendo e crescendo...

Rapunzel penteava seu cabelo  muitas e muitas vezes...

E os mantinha limpos ....

E os mantinha bem cuidados....

Do alto de sua torre, ela não entendia muita coisa, não sabia o que era a amizade ou amor, mas  imaginou que  se conversar de longe era bom, conversar de perto seria melhor.

E  cultivar  aquelas tranças enormes era muito cansativo, Rapunzel tinha que carregar aquele peso todo no seus cômodos no alto da torre e ficar impedindo  que  se enroscassem nas coisas.


Quando finalmente  estavam do tamanho que ela precisava para servir de acesso a torre, ela entendeu que seu amigo havia desaparecido de vez.

Num lampejo de lucidez, lhe ocorreu que jamais deveria ter  feito aquilo, pois se ele quisesse realmente  conversar com ela,  poderia trazer uma escada. Que tudo aquilo havia sido uma grande tolice.

Assim,  Rapunzel sentindo-se triste e frustrada  cortou suas tranças. Se sentiu leve e descobriu como aquilo era libertador, como tinham sido tão difíceis aqueles meses.

E quase que aquilo tudo parecia ter sido em vão.

De repente, ocorreu-lhe uma nova ideia, as mesmas tranças que poderiam servir pra alguém subir, poderia servir  para ela descer.  E foi isto que ela fez. Um pouco de medo e muito desajeitada, com algumas escoriações e um tombo quando faltava pouco para chegar ao chão, ela conseguiu alcançar seu objetivo.

E depois de tantos anos presa, resolver viajar pelos reinos ao redor, conhecer lugares  que nunca tinha imaginado que existissem. E assim iniciou-se uma linda jornada.

Olhos de Estrelas - Texto de Letícia Luna - Ilustração de Lorena Luna



Olhos de Estrela

Mãe das Estrelas, Minha Mãe,
Mãe das Constelações, Mãe da Ursa Maior,
Mãe da Ursa Menor.

Mulher de Cabelos Negros,
Mãe de Cabelos da Via Láctea.

Seu olhar de Buraco Negro,
Me suga até você.

Seus olhos com pupilas de Lua Cheia,
Muitas Estrelas não posso ver a olho nu,
Porém vejo as
Estrelas nos seus olhos,
Acompanhadas de Amor.

A Terra não é o centro do Universo,
Nem você.
Mas faz parte do mais importante,
o Meu Coração.

Dedico este poema a minha mãe

Letícia Luna
20/07/2020



quarta-feira, 20 de maio de 2020

Carta Aberta aos Amigos e Familiares - Texto de André Luiz Baroni de Moura

Esta carta recebi do meu  amigo André no dia 14 de março de 2020 - via whatsapp  - ele tinha escrito este pequeno desabafo e eu fiquei profundamente tocado  pelo relato. Ele me disse que era apenas uma história comum, que acontecia com um monte de gente. Resolvi publicar aqui (com o consentimento dele)  para guardar   o referido registro.

CARTA ABERTA AOS MEUS FAMILIARES E AMIGOS

Sempre tive a fama de ser chato, difícil, de não ter papa na língua, então vou fazer jus aqui a estes rótulos (adoro todos eles, de verdade). E sou fortalecido assim pela armadura que precisei vestir desde que nasci para enfrentar e bancar quem eu sou hoje.
Eu estou bem longe de ser militante de alguma causa, queria ser bem mais ativo e lutar por muitas coisas (também tenho minhas falhas). Mas também estou bem distante e cansado de tapar os ouvidos e fechar os olhos perante todo o preconceito embutido em “piadas inocentes” e todo o tipo de discriminação que eu já sofri nesses 36 anos.
E não, não é preciso ser preto para ser anti racista. Não precisa ser mulher para não ser um babaca machista. Logo, não é preciso ser gay para não ser homofóbico.
Também sei que muitas vezes temos atitudes meio que sem pensar, não nos questionamos nem temos empatia, mas acho que chegamos em um ponto em que viver sem pensar e se questionar é o maior crime que podemos cometer.
Você está lendo e pensando “nossa, mas que frescura”. Não, não é frescura. São 36 anos vivendo todo o tipo de preconceito velado e muitas vezes escancarado, tentando ver graça e achar certas situações normais. Talvez vocês nunca entendam, pois, gostem ou não, alguns estão em uma posição de privilégio, o que deixa o ser humano muitas vezes em uma zona de conforto (eu também, em alguns pontos, mas esta não é a discussão).
Cresci sem falar sobre sexualidade com ninguém. Me fez muita falta. Muita! Não entendia porque diacho somente eu não era “normal” e sentia atração pelos meninos e não pelas meninas. Foram incontáveis momentos de choro escondido, de desespero, de pensamentos suicidas (criança, adolescente - isso eu não acho normal!). Não tive ninguém pra segurar minha mão e me explicar que o que eu sentia era normal. Não fui acolhido e ninguém me disse que meus amigos e familiares estavam sendo babacas (mas poderiam/podem evoluir) por, por exemplo, dar risada de um casal de homens ou chamar alguém de viado como forma de demérito. Não pude falar para os meus pais sobre a minha primeira paixão, pois esta paixão tinha no meio das pernas um pênis igual a mim.
Certa vez, na escola, uma professora de educação física, (negra!), gritou na frente de todos que só estava faltando eu colocar uma saia pois não queria jogar futebol com os meninos. Inventei que estava com dor de barriga e pedi pra minha mãe ir me buscar na escola. Fui chorar no banheiro depois, claro.
Não tive um abraço de uma viva alma sequer para dizer que estava tudo bem e que eu podia ser o que eu era, sempre e em qualquer lugar. Aprendi sobre minha própria sexualidade na marra, sozinho, levando tapa na cara. Passei muito tempo me preocupando em me “comportar como homem”, em não falar de forma afeminada, para que ninguém percebesse que eu tinha algum problema e não fosse chamado de viado.
Cheguei a um ponto de namorar com uma menina para me encaixar no padrão heteronormativo imposto por todos a minha volta, que merda! Essa menina, um dia após eu negar ter um momento mais íntimo, escreveu com tijolo nas paredes do prédio: “ANDRÉ VIADO”. Fui limpar e chorar escondido depois. Alguém aqui já passou por algo parecido? Já namorou com alguém do sexo oposto por obrigação? Conseguiria fazer isso?
Por muitos anos eu não troquei carinho ou um beijo nem segurei a mão de um namorado na rua com medo de apanhar, de levar um tiro. Às vezes ainda tenho esses medos, mas hoje sou mais esclarecido e prefiro correr esses riscos e fazer parte de uma mudança que eu acredito, assim quem sabe seus filhos se forem gays possam ter espaço e liberdade para ser o que se sentirem a vontade para ser. Alguém aqui já sentiu esse medo?
Em um hotel do interior já me foi negado me hospedar com namorado em quarto com cama de casal pois aquele estabelecimento era “de família”, se quiséssemos ficar teria que ser em cama de solteiro. Fui embora.
Para não ter meus direitos podados, os mesmos que já são garantidos para as famílias-padrão brasileiras, é uma luta. Casamento, herança, pensão/benefício por morte do companheiro, dependente do companheiro em convênio médico...para conseguir precisa de uma “brecha na lei”, jurisprudências, piedade, precisa implorar, tem que lutar. Eu que lute, mais.
Poderia falar aqui sobre mais um monte de situações. Estas que descrevi são apenas uma pequena parte.
E aí a única coisa que as pessoas se questionam é porque a maioria dos homens gays e mulheres lésbicas se afasta da família, da sociedade “normal”, da igreja (nem vou comentar sobre isso). E os distanciamentos vem daí, de cansar de ter que lutar toda hora, de cansar de fingir, cansar de dar risada quando as piadas não tem graça e te ferem.
Para ajudar, ainda temos como representante maior um boçal, cerceador de direitos e ignorante, com posturas racistas, homofóbicas, machistas e xenófobas. E o povo aplaude, não pensando nos seus próximos (vou parar a parte da política aqui, continuo a falar sobre mim).
Então, tudo isso para dizer: evoluam!
Falem sobre sexualidade com seus filhos, sobrinhos, netos, amigos. Escutem, prestem atenção, acolham.
E não pensem que sou o único gay da família ou do meu círculo de amigos. Tem "hétero" aí vivendo sua vida e guardando seus desejos em um baú fechado com mil chaves. Dizem as estatísticas e o meu olho clínico...
Isto posto, sou cheio de feridas e cicatrizes, logo, as piadas, falas e memes, em sua grande maioria incomodam sim. Essas “brincadeiras inocentes” são as mesmas que incentivam a violência, é por causa delas que meus semelhantes apanham na rua, que morrem. É por causa delas que as mulheres são agredidas e violentadas. É por causa delas e mais um monte de situações que os comportamentos primitivos são validados. E tudo isso incomoda não só por mim não, incomoda porque vejo sofrimento nos outros também.
Não estou aqui julgando ninguém, nem cobrando nada de ninguém. Cada um de nós sabe onde ficou um espaço para ter sido alguém melhor. Mas estou sim, mostrando que tenho moral pra dizer o que incomoda, o que machuca, o que faz falta e que podemos ser melhores. E se tem alguém em dúvida ainda, não, as piadas não tem a menor graça. Sexualidade não é motivo de chacota. Alguém já foi o centro das atenções e motivo de piada por ser heterossexual? Basta pensar e ter empatia.
E apesar de tudo isso eu estou aqui. Venci todas as vezes que pensei em suicídio.
Estudei, tenho minha profissão (está todo mundo recluso por conta do coronavírus. As minhas folgas e férias foram canceladas e eu ouvi hoje que eu estava com preguiça de trabalhar por orientar pacientes sem urgência a ficar em casa - fiz um juramento quando me formei e o sigo, assim como, pasmem, a maioria diz que segue os mandamentos da Bíblia. Tenho minha vida, minhas alegrias, minhas frustrações, minhas lutas, minhas contas, meus amores. Sou um HOMÃO DA PORRA!

O que vai acontecer agora: 1) Ninguém vai falar nada, fingir que não é com você, ficar em silêncio como toda a sociedade faz. 2) Dizer que eu estou de mimimi, mesmo que em silêncio, como todos os babacas fazem. 3) Vão conversar entre si no particular e dizer que enlouqueci. 4) Vão refletir, evoluir, ter empatia e enxergar as coisas por outro ângulo. Talvez até não vá fingir demência.
E aí, onde você se encaixa? E de mimimi está você que está incomodado pelas minhas palavras mesmo estando errado.


André Luiz Baroni de Moura

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terça-feira, 28 de abril de 2020

Algumas Verdades (ou não)

01 – Quem não tem cão, não caça nada e quem tem cão, muitas vezes,  nunca caçou nada também.

02 – Em Terra de Cego, quem tem muito dinheiro  vira rei.

03 – Dois pássaros voando são mais lindos do que um na mão.

04 – Quem espera, muitas vezes cansa.

05 – Devagar, pode-se ir longe, mas demora mais.

06 – Água mole em pedra dura, tanto bate que a gente nem percebe a diferença.

07 – Quem tem boca, muitas vezes não vai a lugar nenhum.

08 – A pressa é inimiga da perfeição, mas tem muita porcaria também que foi entregue no prazo ou com atraso.

09 – De grão em grão provamos nossa avareza.

10 – Cada macaco no seu galho é uma idéia que pode ser muito autoritária.

11 -  Filho de peixe, nem sempre peixinho é.

12 - Deus ajuda independente da hora que você acordar.

13 – Onde há fumaça, pode haver gelo seco.

14 – Cão que ladra, às vezes, morde.

15 – Pimenta nos olhos dos outros é uma oportunidade para a empatia.

16 – Quando um burro fala, infelizmente, é muito escutado.

17 – À noite todos os gatos são pardos, se a iluminação for ruim.

18 – Deus escrevendo por linhas retas ou tortas, a maioria  das pessoas só entende o que quer entender.

19 – Quem com ferro fere, pode ficar ileso ou pode ser ferido com outra coisa.

20 – Mente vazia pode ser uma grande oficina para a criatividade.

21 – Cavalo dado pode ser educadamente recusado

22 -  Ladrão que rouba ladrão também é ladrão, perdão não tem nada a ver com isto.

23 – O seguro morreu de velho, mas pode ter tido uma vida muito sem graça.

24 – Cada panela tem sua tampa, mas tem coisa que não se encaixa direito, que  pode ser boa e funcionar por um tempo.

25 – Uma andorinha sozinha não faz verão, mas pode ser mais feliz e viver melhor do que as outras.

26 – Quem tem boca  pode ir  a Roma, mas quem tem um bom GPS também pode chegar lá.

27 – O barato  pode sair caro, mas o caro certamente também sairá.

28 – Chorar pelo leite derramado num ombro amigo é muito bom.

29 – De vez em quando, deixe para amanhã o que você podia fazer hoje e dê uma relaxada.

30 – Se a esmola é demais, o santo quer mais.

31 – Pergunte me com quem eu ando e eu te direi o quão    preconceituoso você é.

32 – Nem tudo que cai na rede, é peixe.

33 – Gato escaldado devia ter medo de quem esquenta a água.

34 – Quem se mistura com os porcos, também pode comer presunto, bacon, bisteca, pernil, etc ...

35 – Antes só do que mal acompanhado, mas não exagere na solidão.

36 - Vaso ruim quebra, mas ninguém dá importância.

37 -  Quem pariu Matheus, que possa receber ajuda de verdade para cuidar muito bem dele. 

sábado, 21 de março de 2020

Cinderela Invertida - texto de Letícia Luna

Quando a Letícia com quase 10 anos chegou com esta lição de casa neste começo de ano e me mostrou, fiquei totalmente encantado, o texto dela estava totalmente de acordo com a proposta original do meu blog, que era subverter contos infantis e dar uma abordagem moderna e crítica para eles. Procurem os textos antigos para conferir. Decidi publicá-lo, mas demorei um pouco pois  estava sem tempo.  Fiz algumas correções para o texto ficar mais claro, mas a ideia é totalmente dela, conforme pode se ver na foto abaixo.   Ah, e vejam só, já  tenho uma pequena feminista em casa.

Cinderela Invertida - texto de Letícia Luna

Era uma vez uma garota que gostava  de palácios e coisas do tipo. No baile real decidiram chamar os cidadãos. Ela queria ir, mas  o padrasto não deixou, mas ela conhecia a história e decidiu esperar a fada.
Algumas horas depois:
- Cansei, é fada que não chega. Esta blusa, calça e salto combinam.  O uber chega daqui a 15 minutos.
No baile, ela dançou, comeu e viu que a festa estava chata  e o sapato incomodando. Chamou o uber para a volta e desceu a escadaria.
 O príncipe a viu:  - Ei, aonde você vai?
 Ela respondeu:  - Embora, sapato chato, odeio salto. Por que eu vim com isto ? Toma príncipe! Fique com ele.
E foi embora.
O príncipe perguntou: - Ei escritora, vou ter que casar com ela?
 - Não!
Ele respondeu: - Ufa.
A garota decidiu que não  precisava de homem nenhum para ser feliz e  criou um negócio próprio.
E viveu feliz.


Fim